Serra e a OMS - Organização Mundial da Saúde
artigo de Dina Fernandes (interina), para “O Globo”, de 16/01/2001
  O ministro da Saúde, José Serra, conquistou ontem, em Genebra, um objetivo que vinha perseguindo há mais de seis meses: uma nova metodologia para avaliar o desempenho dos sistemas de saúde dos países do mundo. Ele iniciou essa campanha em junho, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou seu ranking anual, em que o Brasil ficou em péssima situação, o 125º lugar.

Na reunião do Comitê Executivo da OMS, ontem, a representação brasileira defendeu a nova metodologia, com critérios mais rígidos e compatíveis com a realidade dos países avaliados. A sugestão brasileira foi apoiada por países ricos, como Estados Unidos, França e Suécia, e por nações em desenvolvimento - Chile, Paquistão e Índia, para citar apenas alguns. O ministro acredita que, a partir de um estudo mais cuidadoso, o Brasil melhorará, e muito, sua posição no ranking da OMS.

A defesa brasileira foi sustentada por argumentos que o próprio Serra vem apresentando desde o ano passado na OMS e na OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde). Nas suas críticas, Serra insistiu sempre que na maioria dos países os técnicos da OMS não trabalharam com números, mas com simulações. Ele lembrava ontem que apenas 32 dos 191 países listados têm dados completos sobre seus sistemas de saúde.

Sobre o Brasil, diz que a OMS utilizou dados incompletos e desatualizados, como no estudo para chegar à taxa de mortalidade infantil. Neste caso, segundo Serra, a OMS usou pesquisas antigas feitas com apenas cinco mil famílias das regiões Sudeste e Nordeste.

Em artigo recente, o ministro dizia: "O ranking da OMS, constituído por técnicos e economistas desavisados, é uma das piores coisas já feitas pela instituição." Em palestra na OPAS, em setembro, afirmou: "A repetição de um estudo tão precário e enganoso é considerada inaceitável pelo Governo brasileiro."

O estudo da OMS deve ter méritos, mas, de fato, apresentou resultados estranhos: o sistema de saúde de Marrocos melhor do que o do Canadá; a Grécia à frente do Reino Unido; a Arábia Saudita com desempenho muito melhor que os Estados Unidos; e o Brasil muito atrás de Benin, pequeno país da África.

Com metodologias e critérios mais rigorosos, o estudo da OMS estará bem mais próximo da realidade, acredita o Governo brasileiro. Agora é esperar para ver a posição da saúde brasileira no próximo ranking.

Feliz da vida com a vitória na OMS, José Serra estará hoje em Oslo para entregar a carta de FH apresentando a candidatura da Pastoral da Criança ao Prêmio Nobel da Paz.

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