Cardoso diz que pobreza é maior inimiga do país
General acha que violência está ligada à miséria 
e põe em risco futuro do Brasil
artigo de José Mitchell e Sônia Carneiro, 
para o Jornal do Brasil, de 24/01/2001
O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Mendes Cardoso, disse ontem que o "grande inimigo interno no Brasil é a pobreza e o maior inimigo dá sociedade é a violência". A declaração foi feita durante seminário para 46 novos promotores. O general disse que o Brasil está matando seu futuro, ao ressaltar que a maioria das mortes causadas por drogas se concentra na faixa etária de 15 a 24 anos.

Um dos motivos da presença do general Alberto Cardoso foi seu apoio ao projeto pioneiro Rio Grande do Sul Sem Drogas, uma parceria entre o Ministério Público e o Judiciário estaduais que dá tratamento em clínicas médicas a cerca de 100 processados por crimes ligados ao consumo de drogas. "Os jovens recuperados ou comprovadamente em processo de cura ficam com ficha limpa, sem processo", disse um dos idealizadores do programa, o presidente da Associação Nacional dos Profissionais de Programas Judiciais para Dependentes Químicos, promotor Ricardo de Oliveira Silva.

O programa, segundo Alberto Cardoso, se insere nas quatro prioridades da redução da demanda por drogas: prevenção, tratamento, recuperação e reintegração de consumidores. O general disse ainda que o combate ao narcotráfico é fundamental, mas deve ser combinado com o "combate à lavagem de dinheiro, que é o oxigênio para o crime organizado sobreviver".

Sigilo - A nova tarefa do ministro-chefe da Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, será a elaboração de uma política de informação para o governo que garanta o sigilo na articulação entre os órgãos e entidades da administração pública. O primeiro passo foi dado ontem com a publicação no Diário Oficial do regimento interno do Comitê Gestor de Segurança da Informação, que vai assessorar a Secretaria Executiva do Conselho de Defesa Nacional. Caberá ainda ao comitê gestor a elaboração de medidas de segurança que impeçam hackers de invadirem os computadores da Presidência da República, além de grampos telefônicos e outros recursos incompatíveis com a segurança nacional. O comitê vai implantar o sistema de "chaves públicas" para o acesso às informações governamentais.

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