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Editorial do Pensamento Ecológico n. 01,
de junho de 1978
Um editorial que permanece atual.
A leitura lhe dará idéia de como as sociedades ainda vacilam quanto as medidas
necessárias para fazer frente aos desafios do tal "desenvolvimento".
O modelo de desenvolvimento adotado no Brasil e demais paises do hemisfério
sul, presta-se a absorver uma tecnologia gerada pelos povos do hemisfério norte, em troca
da idéia de acesso ao conforto material e melhoria da qualidade de vida. Esse Modelo,
repousa no uso intensivo de energia: eletricidade, petróleo, gás, madeira ou carvão, e
agora, a energia atômica.
A aplicação do Modelo por outro lado, exige sempre grandes somas de capital, de
empréstimos externos, ampliando a dependência desses povos. Se cada cidade e cada Estado
necessitar de capital e tecnologia internacional para reselver seus problemas mais
corriqueiros, é porque a solução que tem sido apresentada não serve para todos.
Torna-se necessário buscar soluções ao alcance da comunidade: soluções simples e de
baixo custo, realizadas em pequena escala, e que utilizem a mão de obra ofertada
abundantemente. Apela-se ao capital internacional em virtude de estarmos limitados pelo
uso de uma tecnologia cara e sofisticada, em desperdício das possibilidades existentes
num país como o Brasil.
Essa tecnologia importada traz consigo, ainda, por intermédio da propaganda nos grandes
meios de comunicação, padrões comportamentais uniformizadores, massificando a vontade
nacional e colocando toda a nossa criatividade em dependência externa, descaracterizando
culturas e anseios regionais. Esse fenômeno da centralização administrativa, econômica
e politica acaba por criar a necessidade de soluções igualadoras de tipo gigantesco.
Criam-se, assim, economias cada vez mais centralizadoras, de capital intensivo, com
utilização de tecnologia bruta, pouca absorção de mão-de-obra na excessiva e
desordenada exploração dos recursos naturais, satisfazendo a máxima do: "USE E
JOGUE FORA".
O testemunho histórico atual dessa situação é a própria economia norte-americana, que
após a II Grande Guerra, exportou o seu Modelo, sabendo-o hoje, impraticável. Para
manter o seu padrão de vida material, os Estados Unidos com 7,5% da população mundial,
consome 1/3 dos recursos não renováveis produzidos a cada ano. |