Horroraima
O cocar parabólico

O Xamã vence as chamas!
Pela conexão entre olhar e sentir o pajé sabe. Sabe como sabem os
sábios.
Diferente dos sabidos.
Os dados chegam por todas as vias. Parabólicas ou paranormais.
A questão é ter software para ler adequadamente o que chega.
Norbert Wiener, o inventor da cibernética, dizia: "repolho dentro, repolho
fora"
Profetizava que não é o aparato instrumental que determina a qualidade de resultado.
Como o time que no papel é genial mas, em campo, dá trombadas.
A língua das matas não tem dialeto. Um caiapó canta para um céu ianomami sob a mesma
identidade: são povos da floresta.
Saber ler os sinais do tempo é um requinte para quem está comprometido com esse tempo,
esse lugar, essa cultura, essa Vida.
O cocar pode ter extensões bytes de sintonia intraterrena.
Assim, como tecnologia, um arco e flecha seria tão sofisticado, em concepção,
eficiência, adequação ao meio e custo, quanto um foguete da Nasa.
O segredo do pajé é saber o jeito da sua terra. Analisa sem fragmentar. Não ver partes
mas o porte. São os sinais amorosos de sua relação: troca.
Pode receber dados via laptop ou emiti-los via canto, chocalho, flautim e dança.
A observação da natureza fundamentou o aprimoramento científico da Grécia até a
Renascença. Mesmo quando o cisma entre Razão e Sentimento se fez.
Leonardo Da Vinci não via barreiras entre beleza estética e máquinas.
Mona Lisa e helicóptero rimam.
Gilberto Gil entendeu que toda parabólica se parece com um cesto de peixe e soltou o seu
Parabolicamará.
E hoje chove sobre este HORRORAIMA.
Uma breve pausa nessa longa quarta-feira de cinzas sobre o país.
Um incêndio que começou há 20 anos quando a ditadura de Médici queria o tal
"Brasil Grande" da ocupação desordenada.
Quem dera este incêndio consumisse também a hipocrisia e a arrogância de autoridades
que deveriam aprender alguma coisa com os pajés.
A diferença entre SÁBIO e SABIDO, por exemplo.
Ou porque o Almanaque Biotônico Fontoura é bíblia para pescadores e a Folhinha Mariana
é infalível em Minas Gerais.
Como lembrete: em junho o sul da Amazônia pode ser o incêndio da vez.
Isso para não falar em outros focos que não os de incêndio:
como os da dengue, por exemplo.
- TT Catalão
da equipe do Correio Braziliense
e colaborador do PECO desde sua primeira fase.
- Fernando Lopes - ilustração
PENSAMENTO ECOLÓGICO
ecologia e ecologismo no Brasil e no mundo desde 1978...
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