| Lutzenberger, o último guerreiro por TT Catalão - CorreioWeb do Correio Braziliense |
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Tenham ou
não uma idéia da caricatura do Lutz como um “radical” ou “eco-chato”
ou ainda “um mito militante”, o que mais importa é o estado
permanente de provocação deste combativo e lúcido ambientalista e
engenheiro agrônomo, morto, nesta terça, aos 75 anos em Porto
Alegre.
Foi um dos primeiros a trazer para o ambiente político (mas não partidário, o que lhe valia desconfianças de todos os matizes ideológicos). Pois faltou ar nos pulmões desse homem que soprava fogo pelas narinas por uma boa briga no melhor viés de raça e dignidade gaúcha. Lutzenberg também trouxe a leitura do cultural para o meio ambiente. As esquerdas clássicas ficavam em pânico com as suas críticas estruturais contra as deformações do Estado e aí não sobravam nem EUA nem, na época, a URSS. Lutz demolia principalmente a hipócrita manutenção do equívoco de civilização contra a Vida. As ideologias preferiam criar uma aura de exótico ou “maluco beleza” que era uma forma de isolar a fera em suas sacadas lúcidas para a tragédia onde nos afundaríamos: muito antes da balela neo-liberal e nova colonização via biodiversidade manipulada, capitais voláteis, lixo, supérfluos, agricultura letal, alimentos envenenados, pesticidas, mercado tirano, consumo alucinado etc. Lutz lançou em 1972 o primeiro manifesto de rompimento não só de crítica aos governos mas foi na medula do modelo: o sistema. O título foi O Bacanal do Esbanjamento. Em outros textos ( aqui em Brasília era presença permanente nos pioneiros números do jornal-comunidade-alternativa Ordem do Universo (em Mozondó-Planaltina, Guariroba-Gil-Unaí e Restaurante Coisas da Terra). Certa vez nos passou um texto onde ironizava a sociedade: lamentava o fato de ele não ser “realmente materialista”, pois se fosse pela matéria não destruiria a matéria-prima da vida, a natureza. Um primor de texto que deve ter se perdido nos arquivos proféticos do Ordem ( o site Arte e Pensamento Ecológico www.infolink.com.br <http://www.infolink.com.br/~peco> de Luiz Carlos de Barros até hoje reproduz alguns números desse JOU-Brasília, vanguarda e cult no tal “meio ambiente começa no meio da gente”). O articulista Jan Rocha do Guardian ressaltou em reportagem publicada na quarta-feira a “total disposição para quebrar protocolos e falar o que a consciência mandasse” de Lutzenberger. Desde que abandonou um ótimo emprego na Basf – deixou a carreira quando a empresa iniciou na década de 50 a fabricação de pesticidas na Venezuela e Marrocos. Um dos fundadores da AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, em 27 de abril de 1971, há apenas cerca de cinco meses depois, foi fundada na Europa a GreenPeace, que é uma entidade una, e a Rede Amigos da Terra Internacional. Agapan marcou a eco-militância brasileira, liderada pelo sul, na campanha contra a Borregarrd, fábrica norueguesa de polpa que poluía Porto Alegre com as emissões de fumaça. A campanha fez com a fábrica fosse vendida para uma companhia brasileira que instalou pioneiros equipamentos antipoluição. Lutz foi pioneiro na denúncia da destruição da Floresta Amazônica. Narrou uma série de TV do cineasta britânico Adrian Cowell e entrou em colisão direta com os militares nos anos 70. Em 1987, deixa a Agapan e passa a presidir a Fundação Gaia do Brasil e em 1988 recebe o The Right Livelihood Award, da Suécia, conhecido como o Nobel Alternativo. Ele foi premiado por um trabalho de produção agrícola sem o uso de herbicidas químicos e por sua militância sobre Amazônia. Nascido em 17 de dezembro de 1926, em Porto Alegre, Lutzenberger formou-se pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e fez pós-graduação em ciência do solo e química agrícola na Lousiana State University. (nota) |
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